Tatiane Sacilotti não sabe o que fazer nos domingos sem escalas na arbitragem

27/01/2009 - Quando a bandeirinha Tatiane Sacilotti entrou em campo e viu a arquibancada do Pacaembu onde estava a torcida uniformizada do Corinthians, ela ficou nervosa. “Quando vi aquele monte de gente do lado onde eu ia correr, pensei: ‘Meu Deus, o que estou fazendo aqui?’. Fiquei super-arrepiada”, disse ao Blog do Boleiro.

A pequena auxiliar de 1,60m de altura e 22 anos de idade trabalha no quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol desde 2005. Está apenas começando. A final da Copa São Paulo de Futebol Junior, entre Corinthians e Atlético Paranaense foi a partida mais importante em que ela trabalhou.


Por isso, nem dormiu direito na noite do sábado para o domingo. “Era muita ansiedade, vontade de acertar”, disse a estudante de Educação

Física que deixou a cidade de Cachoeira Paulista (SP) para morar no bairro da Barra Funda, zona oeste da capital. “Quis ficar perto da escola e da Federação”, falou.

Tatiane lembra que os filhos de Cachoeira mais ilustres são a cantora Aline, do grupo Rouge, e o juiz Márcio Campos Sales. Mas não foi por causa dele, que a bandeirinha decidiu fazer o curso de árbitros. “Um dia, eu vi o trio formado por Silvia Regina, Ana Paula Oliveira e Aline Lambert trabalhando junto. Amei, me apaixonei por aquilo”, lembrou.

A mãe deu a idéia e Tatiane se inscreveu no curso de arbitragem ministrado pelo Sindicato dos Árbitros de São Paulo (2003). No ano seguinte, já com 18 anos, cursou a Escola de Árbitros da FPF. Gosta tanto do que faz que, jura, não sabe como se virar nos domingos em que não trabalha. “Fico perdida. Não sei o que fazer”, afirmou.

Na Copa São Paulo, Tatiane foi assistente em dois jogos do Corinthians. Ela bandeirou na partida contra o Fluminense. Também no mesmo lado do campo onde ficou a maior torcida uniformizada corintiana. Não se lembra de ter sido xingada, cantada ou mesmo provocada. “Só escuto a torcida antes do jogo começar. Depois nem percebo”, garantiu.

Sua atuação na final da Copa São Paulo de Juniores foi elogiada pelo presidente da comissão Estadual de Arbitragem, cel. Marcos Marinho. Ele reuniu o trio que comandou o jogo para dizer que, no geral, todos foram muito bem. Fez alguns reparos, nenhum dirigido para Tatiane. “Ela é muito boa. Tem futuro”, disse ao Blog do Boleiro.
A bandeirinha gostou de saber que agradou ao chefe, mas faz questão de dizer que seus momentos de mais alegria acontecem quando o trio vai todo bem. “Eu torço por uma arbitragem perfeita. Quando isso acontece, fico até emocionada. Eu sei como é dura a vida de juiz de futebol”, afirmou.

Em compensação, a semana fica ruim quando ela erra alguma marcação. No apartamento que divide com uma gandula da FPF, Tatiane coleciona os vídeos dos jogos onde trabalhou. “Tenho vários. Fico vendo e me pergunto como posso ter errado ali”, lembra.

Pelos cálculos de Tatiane, ela deve começar a trabalhar na Série A1 do Campeonato Paulista daqui dois anos. Até lá, vai continuar freqüentando os campos das Séries A2, A3, divisões de base e futebol feminino. Lá, ela já se acostumou com a galera gritando “gostosa” do lado de fora. “Tem também propostas de casamento, com promessa de comida e roupa lavada”, falou rindo.

Das cantadas que já ouviu, uma partiu de um jogador de futebol. “O cara veio cobrar um lateral e passou por mim. Aí perguntou: ‘O que você vai fazer depois do jogo?’. Não respondi, obviamente”, contou.

O arrepio que sentiu quando entrou no gramado do Pacaembu e deu de cara com a Gaviões da Fiel nada tem a ver com preferência por algum clube. “Torço mesmo pela arbitragem. Sou fã da Silvia Regina, da Ana Paula e da Aline”, garante.

Fonte: Luciano Borges - Blog do Boleiro

 
     

 

   
 

 

 
     

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