Marinaldo Silvério "pendura o apito" após 27 anos na função

Jundiaí, SP, 29/11/2008 (AFI) - O jundiaiense Marinaldo Silvério dedicou 27 dos seus 45 anos a arbitragem. Foram 5 anos apitando no futebol amador de Jundiaí e região e outros 22 nas mais diversas competições profissionais do Brasil. Agora, Marinaldo se vê obrigado a largar a profissão. A FIFA (Federação Internacional de Futebol Association), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a FPF (Federação Paulista de Futebol) não permitem que árbitros e auxiliares exerçam a atividade.

"É uma pena pois eu me sinto bem, sempre me cuidei, mas agora sou obrigado a deixar a arbitragem", lamenta Marinaldo, que participou há duas semanas do seu último jogo oficial. Ele foi assistente na decisão da Série B do Campeonato Paulista entre Pão de Açúcar e Batatais. Nesta entrevista ao jornalista Marcel 
Capretz, ele fala sobre a sua decepção em ser obrigado a deixar a arbitragem e relembra grandes momentos da carreira.

MARCEL CAPRETZ - Você se vê em condições físicas e técnicas de continuar na arbitragem mesmo com 45 anos?
 
MARINALDO SILVÉRIO - Me vejo sim. Eu teria gás para continuar na arbitragem por mais alguns anos. Sempre me cuidei e treinei muito para chegar em forma. Antigamente, os árbitros iam até os 50 anos, mas agora não é mais permitido. A CBF e a Federação Paulista poderiam criar uma regulamentação diferente da FIFA permitindo que os juízes que passassem de 45 anos continuassem na profissão, mas infelizmente isso não acontece.

MC - Nos últimos anos você se notabilizou por atuar como auxiliar. Na prática, o esforço de alguém que está bandeirando é menor do que o feito pelo árbitro...

MS - Pois é. O auxiliar dá uma média de apenas seis, sete piques por jogo. É muito mais posicionamento do que correria. Esse é mais um argumento para pelo menos as auxiliares poderem trabalhar com mais de 45 anos. 
 
MC - Desde 1992 você vem atuando nas principais competições do pais. Qual momento mais te marcou?
 
MS - Foi a final do Campeonato Paulista de 2003 entre São Paulo e Corinthians. O Morumbi estava lotado, com mais de 80 mil pessoas. Jamais esquecerei aquela partida.

MC - Você teve algum acerto em determinada partida que também ficou marcado?

MS - Tive. Foi um jogo entre Santos e Portuguesa no Canindé. Não me recordo se foi em 2004 ou 2005. Era um sábado à tarde e a TV Globo estava transmitindo a partida ao vivo. Tive sete lances polêmicos no jogo e acertei todos. Inclusive o tira-teima mostrou que eu não falhei em nenhum lance; a Federação Paulista de Futebol estava fazendo um teste com dois árbitros em campo. Em um dos lances polêmicos, o Alfredo Loebling que era um dos árbitros, não viu que em uma cobrança de pênalti a bola bateu na trave e voltou para o batedor. Eu levantei a bandeira e lhe avisei. O Arnaldo César Coelho que estava comentando o jogo me elogiou muito por isso.
 
MC - E qual foi o grande erro da sua carreira?
 
MS - Não sei se pode considerar um erro: na abertura do Campeonato Paulista de 2006 entre Corinthians e Noroeste em Bauru houve um gol que eu não validei. O campo tinha acabado de ser reformado e pela drenagem eu não conseguia enxergar a linha de gol quando acompanha a zona do impedimento. O Marcelo Mattos do Corinthians deu um chute violento da intermediária; a bola bateu na trave, no goleiro, entrou e saiu do gol. O lance foi tão rápido que eu não consegui ver a bola entrando.

 
MC - O nível da arbitragem está bom no Brasil?
 
MS - O nível tem melhorado bastante. Arbitragem é sempre polêmica ainda mais agora que há muitos recursos eletrônicos, se pode ver um lance em 20 ângulos diferentes. Um erro se percebe mais claramente do que antigamente.

MC - Quem é o melhor árbitro do país na sua opinião?

MS - Para mim é o Wilson Luis Seneme. Mas tem também o Paulo César Oliveira, o Leonardo Gaciba, o Héber Roberto Lopes e o Carlos Eugênio Simon que são muito bons.

MC - O gaúcho Leandro Vuadén surgiu com um estilo diferente de apitar. Ele marca poucas faltas durante um jogo. O que você pensa sobre isso?

MS - O Vuadén também é um bom árbitro. Ele é novo e tem muito potencial. Por ser gaúcho, ele vem de uma escola em que tradicionalmente o jogo é mais pegado e se marca menos faltas. Quando ele aparece em uma partida do Campeonato Brasileiro, por exemplo, onde há mais técnica, sente-se a diferença.

MC - Você defende a profissionalização dos árbitros?

MS - Com certeza. Uma semiprofissionalização já estaria de bom tamanho. Deveria existir um centro de treinamento e um alojamento para árbitros em cada estado. Além disso, faltam leis de aposentadoria. Eu estou saindo agora com uma mão na frente outra atrás.

MC - O que você pretende fazer de agora em diante?
 
MS - Sou professor de educação física (a Federação Paulista exige que os árbitros tenham uma profissão) e trabalho como coordenador de futebol na secretaria de esportes de Jundiaí. Pretendo continuar nessa área.

Fonte: www.futebolinterior.com.br
 

 
     

 

   
 

 

 
     

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