A instituição futebol é muito maior do que um técnico!

 
  São Paulo - 14/11/2008 - Como principal dirigente de uma das maiores entidades esportivas do País, vejo com perplexidade alguns técnicos de futebol se julgarem mais importantes que o futebol. Esquecem esses “deusinhos” que, quando nasceram, já havia o futebol, com suas regras de mais de cem anos.

Em minha avaliação, isso acontece porque o futebol permite que uns poucos despreparados dos princípios do bom senso acreditem que, por terem sido técnicos de equipes campeãs, são os responsáveis pelo esporte. Criticam sem ao menos conhecer o artigo 1º do Código de Justiça Desportiva; dão palpites na arbitragem sem nunca terem lido as 17 regras que regem o futebol. Seria muito interessante um jornalista sugerir a estes técnicos, em alguma entrevista, que citem uma regra, um artigo do Código Desportivo ou o regulamento da

 

Marco Polo Del Nero

  competição. Com certeza, vão gaguejar.

Por esses razões e pela obrigação que o cargo me outorgou, não posso evitar o desabafo. Também não suporto ver o sindicato dos árbitros calado, acanhado e com medo de responder às críticas que seus sindicalizados sofrem, na maioria das vezes injustas. Não tenho visto o sindicato fazer um desagravo em favor de um árbitro que sofreu uma ofensa.  

Recentemente, um técnico badalado no mercado do futebol disse ter entrado em campo, ou melhor, invadiu o gramado, demonstrando total desconhecimento da INSTITUIÇÃO FUTEBOL, com o argumento de ajudar o árbitro. Ora, o árbitro não pediu sua ajuda e nem pediria, pois conhece as regras do jogo. É um árbitro renomado, sério e competente e erra muito menos do que muitos técnicos de futebol. Esse comportamento demonstra o desrespeito às regras, que proíbe a invasão do campo pelo técnico, sob pena de ser expulso e julgado pela atitude antidesportiva.

Imaginem um árbitro interromper o jogo, se dirigir ao técnico e dizer-lhe:  “O senhor poderia trocar tal atleta por um outro que jogue melhor?” Ou: “Por que o senhor não vem trabalhando a contento e prepare melhor sua equipe?”, ou, ainda, afirmar: “Seus jogadores erram muitos passes e não sabem bater falta. O senhor precisa treinar mais esses fundamentos, treinar a defesa e o ataque, que perde muitos gols”.  Aliás, entre as obrigações de um técnico, deveria constar o ensino de fundamento específico para cada jogador e leitura e compreensão das 17 regras do futebol e das leis desportivas.

Essas observações não se restringem a esse técnico. Muitos outros seguem o mesmo caminho. Mas como em toda regra há exceções, há uns dois ou três que amadureceram e já entendem que o árbitro erra, como erram seus jogadores. Com certeza, leram as regras, os regulamentos e as leis penais e processuais do código desportivo.

Fonte: Marco Polo Del Nero - www.futebolpaulista.com.br

 
     

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