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Mas todas estas mudanças começaram com
um conturbado capítulo da história do futebol brasileiro. Em 2005, a
arbitragem passou por uma fase de pouca credibilidade, evidenciada
após o episódio que ficou conhecido como o Escândalo dos
Apostadores, que resultou no afastamento dos árbitros Edílson
Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon.
Por este motivo, o presidente da
Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, adotou naquele
ano algumas medidas para o aprimoramento e padronização do setor.
Foram criados três importantes setores na FPF: a Comissão Estadual
de Arbitragem, presidida pelo Tenente-Coronel Marcos Cabral Marinho
de Moura; a Ouvidoria da Arbitragem, comandada pelo Coronel Silas
Santana; e a Corregedoria da Escola de Árbitros e da Comissão de
Arbitragem, que tem à frente o Dr. Bento da Cunha.
Com a criação da Comissão de Arbitragem
vieram as principais mudanças. O primeiro passo foi criar o
Regulamento Geral da Arbitragem, com as principais normas, direitos
e deveres dos árbitros e dirigentes, entre outras regras de conduta.
Além disso, foram tomadas providências para melhorar a formação dos
árbitros paulistas, hoje referência nacional em qualidade técnica.
Para dotar a arbitragem paulista de um
perfil altamente profissional em campo e imune a amadorismos e
assédios de qualquer ordem, foi criado o projeto "Apto para o
Apito". O principal objetivo foi o de conhecer, reconhecer, e dar
sustentação ao perfil do árbitro de futebol desde sua seleção para o
Curso de Arbitragem até seu desligamento do Quadro de Árbitros da
FPF. O processo aborda três áreas fundamentais: biomédica,
psicológica e sócio-econômica.
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Cel. Marinho: Comissão de
Arbitragem |
Uma das mudanças mais sensíveis provocadas pelo projeto “Apto
para o Apito” diz respeito ao acompanhamento psicológico dos
árbitros e árbitros assistentes, que têm todo o respaldo da FPF para
atuar com confiança e técnica dentro de campo, sem receios ou outros
tipos de conflitos. Quando um árbitro comete um erro, por exemplo, é
orientado por instrutores da Comissão de Arbitragem. “Oferecemos
tudo o que é possível para que os árbitros possam crescer na
carreira e se desenvolver profissionalmente”, afirma o Coronel
Marinho.
Em 2009, a Comissão de Arbitragem
instaurou uma nova medida para a final do Campeonato Paulista da
Série A1: a concentração dos árbitros e assistentes sorteados para
apitar as semifinais e finais da competição. “Quando fizemos o
sorteio, entramos em contato com os árbitros para que eles fossem
levados à concentração. Lá, eles ficaram por cerca de dois dias
antes de cada jogo, sempre acompanhados pelos instrutores, que
repassavam os fundamentos mais importantes, exibiam vídeos e
esclareciam dúvidas. Tivemos uma resposta muito positiva quanto a
este sistema, porque os árbitros se sentiram mais seguros e
preparados para as partidas”, explicou o Coronel Marinho.
Para o próximo ano, a principal mudança
será implantada também no Campeonato Paulista da Série A1. “Não
haverá aquela tradicional pré-temporada. Faremos um treinamento
intensivo com os árbitros e assistentes que apitam os jogos do
Paulistão, com foco exclusivo nesta competição. Este curso intensivo
terá início em novembro e terminará em janeiro. Os participantes só
terão folga para as festas de final de ano. Nossa principal
preocupação é com os assistentes, que foram a principal fonte de
problemas nos últimos anos”, esclareceu o Coronel Marinho.
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Silas Santana: rigor na
Ouvidoria |
Já a Ouvidoria da Arbitragem, comandada pelo Coronel Silas
Santana, funciona como uma mediadora na comunicação entre a Comissão
de Arbitragem e os clubes, recebendo as denúncias e reclamações a
respeito da performance da arbitragem nas partidas dos campeonatos
organizados pela FPF. Com mais de 20 anos de experiência na
arbitragem paulista, o Coronel Silas atende os dirigentes dos clubes
de todas as divisões da FPF e é o responsável por analisar os vídeos
e os Relatórios Técnicos dos jogos em que há algum lance duvidoso,
prejudicial a uma equipe ou com uma possível interferência no
resultado da partida.
A partir das denúncias e da análise dos
fatos, o Ouvidor encaminha um ofício ao presidente do clube
reclamante com a análise de todos os lances do jogo e faz um balanço
da influência da arbitragem no resultado. Depois disso é feita uma
indicação à Comissão de Arbitragem sobre a atuação do árbitro e/ou
assistente e o grau de deficiência é avaliado para que possa ser
definida a punição mais justa para cada caso. As punições podem ser
o afastamento temporário do quadro de arbitragem, a participação em
programas de reciclagem na Escola de Árbitros ou o aprimoramento da
qualidade técnica e disciplinar em exercícios práticos nos gramados.
Como não existe uma arbitragem perfeita,
os erros não são incomuns e, muitas vezes, os próprios árbitros
entram em contato com a Ouvidoria para discutir as próprias
atuações.
A Ouvidoria também presta serviço aos
torcedores, que sempre querem entender o porquê de uma marcação
errada de um pênalti, de um impedimento ou de um gol em posição
ilegal. “Avançamos muito com a instalação da Ouvidoria. Hoje, não se
fala mas em ‘árbitro ladrão’, mas em equívocos no exercício da
função, que é possível a qualquer ser humano no exercício de uma
profissão, já que o árbitro é um ser humano e pode errar tanto
quanto técnicos ou jogadores”, avaliou o Coronel Silas.
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O corregedor Bento da Cunha
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A Corregedoria da Comissão de Arbitragem e da Escola de Árbitros,
por sua vez, foi instaurada a partir de uma resolução da presidência
da FPF, que define que “terá o corregedor poderes ilimitados,
respeitando os direitos constitucionais, penais e civis, para apurar
toda e qualquer atuação dos árbitros pertencentes ao quadro da FPF”.
Foi nomeado para o cargo o Dr. Bento da Cunha, que tem vasta
experiência como delegado da Polícia Civil e portanto está apto para
executar as investigações necessárias, recorrendo aos arquivos da
Polícia e aos Fóruns sempre que necessário.
A principal função do corregedor é
apurar e investigar todos os candidatos a árbitros e assistentes do
quadro da FPF em suas vidas e condutas fora do campo, nos âmbitos
civil, criminal, trabalhista, econômico, social, familiar, entre
outros. “Minhas investigações se baseiam em três pilares:
honestidade, caráter e honradez. Caso um árbitro apresente qualquer
tipo de problemas, ele é chamado para explicar a situação para a
Corregedoria, ficando suspenso até que a situação esteja devidamente
resolvida”, explicou o Dr. Bento.
Nos últimos anos, o corregedor inseriu
algumas exigências para que o candidato possa se inscrever na Escola
de Árbitros. É preciso apresentar certidões de antecedentes, civil e
criminal, além da certidão do SPCP e do SERASA, que comprovem a
honestidade e o caráter dos envolvidos. “Essa exigência facilitou o
trabalho da Corregedoria, diminuindo o número de casos problemáticos
no momento da inscrição no quadro de árbitros”, concluiu o
corregedor.
Fonte:
Talita de Moraes , especial para o
site da FPF |