Federação Paulista de Futebol comemora quatro anos de inovação

23 de outubro de 2009 - Com um dos mais modernos e eficientes quadros de árbitros de todo o Brasil, a Federação Paulista de Futebol comemora em 2009 quatro anos da reformulação da arbitragem do Estado. Pioneira em diversas ações, a Comissão de Arbitragem da FPF está sempre inovando para melhorar o desempenho e a qualidade de seus árbitros e assistentes.

 

Em busca de um índice mínimo de falhas, a arbitragem paulista foi inovadora ao implantar tecnologias que diminuíssem a chance de erro, como o ponto eletrônico e os rádios para a comunicação do trio de arbitragem, o spray para marcação de cobrança de falta e posicionamento da barreira, e outras facilidades como a súmula eletrônica.

Mas todas estas mudanças começaram com um conturbado capítulo da história do futebol brasileiro. Em 2005, a arbitragem passou por uma fase de pouca credibilidade, evidenciada após o episódio que ficou conhecido como o Escândalo dos Apostadores, que resultou no afastamento dos árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon.

 

Por este motivo, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, adotou naquele ano algumas medidas para o aprimoramento e padronização do setor. Foram criados três importantes setores na FPF: a Comissão Estadual de Arbitragem, presidida pelo Tenente-Coronel Marcos Cabral Marinho de Moura; a Ouvidoria da Arbitragem, comandada pelo Coronel Silas Santana; e a Corregedoria da Escola de Árbitros e da Comissão de Arbitragem, que tem à frente o Dr. Bento da Cunha.

 

Com a criação da Comissão de Arbitragem vieram as principais mudanças. O primeiro passo foi criar o Regulamento Geral da Arbitragem, com as principais normas, direitos e deveres dos árbitros e dirigentes, entre outras regras de conduta. Além disso, foram tomadas providências para melhorar a formação dos árbitros paulistas, hoje referência nacional em qualidade técnica.

 

Para dotar a arbitragem paulista de um perfil altamente profissional em campo e imune a amadorismos e assédios de qualquer ordem, foi criado o projeto "Apto para o Apito". O principal objetivo foi o de conhecer, reconhecer, e dar sustentação ao perfil do árbitro de futebol desde sua seleção para o Curso de Arbitragem até seu desligamento do Quadro de Árbitros da FPF. O processo aborda três áreas fundamentais: biomédica, psicológica e sócio-econômica.

 

Cel. Marinho: Comissão de Arbitragem

Uma das mudanças mais sensíveis provocadas pelo projeto “Apto para o Apito” diz respeito ao acompanhamento psicológico dos árbitros e árbitros assistentes, que têm todo o respaldo da FPF para atuar com confiança e técnica dentro de campo, sem receios ou outros tipos de conflitos. Quando um árbitro comete um erro, por exemplo, é orientado por instrutores da Comissão de Arbitragem. “Oferecemos tudo o que é possível para que os árbitros possam crescer na carreira e se desenvolver profissionalmente”, afirma o Coronel Marinho.

Em 2009, a Comissão de Arbitragem instaurou uma nova medida para a final do Campeonato Paulista da Série A1: a concentração dos árbitros e assistentes sorteados para apitar as semifinais e finais da competição. “Quando fizemos o sorteio, entramos em contato com os árbitros para que eles fossem levados à concentração. Lá, eles ficaram por cerca de dois dias antes de cada jogo, sempre acompanhados pelos instrutores, que repassavam os fundamentos mais importantes, exibiam vídeos e esclareciam dúvidas. Tivemos uma resposta muito positiva quanto a este sistema, porque os árbitros se sentiram mais seguros e preparados para as partidas”, explicou o Coronel Marinho.

 

Para o próximo ano, a principal mudança será implantada também no Campeonato Paulista da Série A1. “Não haverá aquela tradicional pré-temporada. Faremos um treinamento intensivo com os árbitros e assistentes que apitam os jogos do Paulistão, com foco exclusivo nesta competição. Este curso intensivo terá início em novembro e terminará em janeiro. Os participantes só terão folga para as festas de final de ano. Nossa principal preocupação é com os assistentes, que foram a principal fonte de problemas nos últimos anos”, esclareceu o Coronel Marinho.

 

Silas Santana: rigor na Ouvidoria

Já a Ouvidoria da Arbitragem, comandada pelo Coronel Silas Santana, funciona como uma mediadora na comunicação entre a Comissão de Arbitragem e os clubes, recebendo as denúncias e reclamações a respeito da performance da arbitragem nas partidas dos campeonatos organizados pela FPF. Com mais de 20 anos de experiência na arbitragem paulista, o Coronel Silas atende os dirigentes dos clubes de todas as divisões da FPF e é o responsável por analisar os vídeos e os Relatórios Técnicos dos jogos em que há algum lance duvidoso, prejudicial a uma equipe ou com uma possível interferência no resultado da partida.

A partir das denúncias e da análise dos fatos, o Ouvidor encaminha um ofício ao presidente do clube reclamante com a análise de todos os lances do jogo e faz um balanço da influência da arbitragem no resultado. Depois disso é feita uma indicação à Comissão de Arbitragem sobre a atuação do árbitro e/ou assistente e o grau de deficiência é avaliado para que possa ser definida a punição mais justa para cada caso. As punições podem ser o afastamento temporário do quadro de arbitragem, a participação em programas de reciclagem na Escola de Árbitros ou o aprimoramento da qualidade técnica e disciplinar em exercícios práticos nos gramados.

 

Como não existe uma arbitragem perfeita, os erros não são incomuns e, muitas vezes, os próprios árbitros entram em contato com a Ouvidoria para discutir as próprias atuações.

 

A Ouvidoria também presta serviço aos torcedores, que sempre querem entender o porquê de uma marcação errada de um pênalti, de um impedimento ou de um gol em posição ilegal. “Avançamos muito com a instalação da Ouvidoria. Hoje, não se fala mas em ‘árbitro ladrão’, mas em equívocos no exercício da função, que é possível a qualquer ser humano no exercício de uma profissão, já que o árbitro é um ser humano e pode errar tanto quanto técnicos ou jogadores”, avaliou o Coronel Silas.

 

O corregedor Bento da Cunha

A Corregedoria da Comissão de Arbitragem e da Escola de Árbitros, por sua vez, foi instaurada a partir de uma resolução da presidência da FPF, que define que “terá o corregedor poderes ilimitados, respeitando os direitos constitucionais, penais e civis, para apurar toda e qualquer atuação dos árbitros pertencentes ao quadro da FPF”. Foi nomeado para o cargo o Dr. Bento da Cunha, que tem vasta experiência como delegado da Polícia Civil e portanto está apto para executar as investigações necessárias, recorrendo aos arquivos da Polícia e aos Fóruns sempre que necessário.

A principal função do corregedor é apurar e investigar todos os candidatos a árbitros e assistentes do quadro da FPF em suas vidas e condutas fora do campo, nos âmbitos civil, criminal, trabalhista, econômico, social, familiar, entre outros. “Minhas investigações se baseiam em três pilares: honestidade, caráter e honradez. Caso um árbitro apresente qualquer tipo de problemas, ele é chamado para explicar a situação para a Corregedoria, ficando suspenso até que a situação esteja devidamente resolvida”, explicou o Dr. Bento.

 

Nos últimos anos, o corregedor inseriu algumas exigências para que o candidato possa se inscrever na Escola de Árbitros. É preciso apresentar certidões de antecedentes, civil e criminal, além da certidão do SPCP e do SERASA, que comprovem a honestidade e o caráter dos envolvidos. “Essa exigência facilitou o trabalho da Corregedoria, diminuindo o número de casos problemáticos no momento da inscrição no quadro de árbitros”, concluiu o corregedor.

 

Fonte: Talita de Moraes , especial para o site da FPF

 
     

 

   
 

 

 
     

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