Evandro Luís Silveira despede-se da arbitragem

Terça Feira, 06 de Janeiro 2009

A aposentadoria chega para todos, na arbitragem não é diferente, como é o caso de Evandro Luís Silveira (foto), Rio-Pretano que após o último Campeonato Brasileiro despediu-se da arbitragem profissional.

Evandro atingiu os 45 anos impostos como limite aos árbitros. A aposentadoria, porém, não deve afastar Evandro totalmente dos gramados. Ele pretende seguir atuando, como já faz nos clubes da cidade, escalando árbitros iniciantes, apitando e bandeirando nas competições que são realizadas durante o ano no Ipanema, Regatas e Recreativa.

A despedida de Evandro do quadro da Federação Paulista de Futebol (FPF) e da Confederação Brasileira

de Futebol (CBF) aconteceu na partida entre Santos e Náutico, no dia 7 de dezembro na Vila Belmiro, no empate de 0 a 0. “Me escalaram como 5º árbitro para que eu participasse da última rodada, em reconhecimento ao meu trabalho”, disse Silveira, que antes desta partida havia estado em campo bandeirando o jogo Goiás 3 x 1 Botafogo, em Itumbiara-GO. Este sim, seu último trabalho profissional.

Evandro iniciou a carreira em 1996, na época como árbitro em jogos do Campeonato Paulista da Série A3. Somente em 1997 passou a ser árbitro assistente, popularmente conhecido como bandeirinha. “Fiz o curso de arbitragem em 1991 e ao longo de todo este período, desde quando comecei a trabalhar em 1996, foram mais de 100 jogos pela Série A do Campeonato Brasileiro e outros 150 no Paulistão. Em todas as divisões devem ter sido uns 500 jogos. Vou sentir saudades”, conta o assistente, que revela ter apenas uma frustração na carreira. “Lamento não ter bandeirado uma final de Campeonato Paulista. Encerro levando isto comigo, mas não deu, tudo bem”, conta o bandeirinha, que no dia-a-dia exerce a profissão de técnico em radiologia e professor de educação física.

Com o fim da carreira, a revelação são-paulina, gostar de futebol e não ter um clube de coração é algo impensável no mundo da bola por maior que seja o profissionalismo. No caso dos árbitros esta regra também vale, porém o segredo é algo primordial. “Hoje posso dizer que o meu time é o São Paulo, pois sempre fui muito isento. Aliás, nas vezes que bandeirei jogos do São Paulo ele mais perdeu do que ganhou”, revela Evandro.

Bandeirinha foi alvo de polêmica com Tevez, em um jogo que não sairá da memória de Evandro, e tampouco dos corintianos. Foi no clássico entre Corinthians e Palmeiras, em 1996, quando Tevez teve um gol anulado. “O erro ali foi no procedimento. Na hora eu deveria ter levantado a bandeira. Para a torcida foi a Ana Paula de Oliveira que anulou o gol. Eu falei que o Tevez tinha feito a falta no meio campo na hora do lançamento do Betão. A repercussão é até hoje. Foi um jogo que valeu como aprendizagem”, conta Evandro. O jogo em questão marcou a estréia do ponto eletrônico, e Evandro Silveira estava do lado oposto à jogada, mas informou ao árbitro sobre a falta, enquanto Ana Paula Oliveira, bandeirinha que estava na jogada, validava o gol, que minutos depois foi invalidado.

Evandro Luís Silveira é o 19º no ranking paulista e 14º no ranking da CBF. Uma posição honrosa que mostra que a sua carreira não foi cercada de polêmicas, ou seja, foi discreta, como prega o manual da boa arbitragem.

Boas atuações também fazem parte da memória do bandeira. “No Gre-Nal de 2006, quando houve incidente entre as torcidas e banheiros químicos foram incendiados no Beira-Rio. A partida teve que ser interrompida. Apesar do episódio triste, a lembrança é principalmente pela grande atuação da arbitragem naquele clássico. Fomos 100 por cento”, recorda-se o ribeirão-pretano. Evandro Silveira tem como ídolo o colega Ednilson Corona e o árbitro Wilson Luis Seneme, como os melhores do Brasil.

Ouvir palavrões e xingamentos que partem das arquibancadas é uma rotina, assim como é a de conviver com os jogadores bem de perto e conhecer o perfil dos atletas. Na carreira, Evandro Silveira conta ter visto todos os tipos de jogadores. Os bem-educados, os boca-suja e alguns esnobes.  “Muitos jogadores não falam nada. A maioria não diz palavrão, eles abrem o braço, reclamam, mas não xingam. O Kaká e o Nilmar são bem educados. O Marcos [goleiro do Palmeiras] costuma abrir os braços quando quer reclamar, mas não ofende. Estes são os mais educados que eu me lembro”, diz ele. Mas por outro lado há aqueles desbocados. “Têm umas malas que xingam. Quanto mais baixa é a divisão, pior. Mas já ouvi ofensas de jogadores, como comparar o que eles ganham com aquilo que a gente recebe para apitar ou bandeirar um jogo”, revela o bandeirinha.

Ao se aposentar, Evandro deixará de ganhar R$ 950 (mais diárias e transporte grátis) por cada jogo trabalhado em Série A do Campeonato Brasileiro e outros R$ 750 por partidas do Campeonato Paulista da Primeira Divisão (mais diária de R$ 48). Na Série A2 do Estadual, os valores são R$ 600 e, na A3, caem para R$ 300.

 
     

 

   
 

 

 
     

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