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A aposentadoria chega
para todos, na arbitragem não é diferente, como é o caso
de Evandro Luís Silveira (foto), Rio-Pretano que após o último Campeonato
Brasileiro despediu-se da arbitragem profissional.
Evandro atingiu os 45 anos impostos como
limite aos árbitros. A aposentadoria, porém, não deve afastar Evandro
totalmente dos gramados. Ele pretende seguir atuando, como já faz nos clubes
da cidade, escalando árbitros iniciantes, apitando e bandeirando nas competições
que são realizadas durante o ano no Ipanema, Regatas e Recreativa.
A
despedida de Evandro do quadro da Federação Paulista de Futebol (FPF) e da
Confederação Brasileira |
de Futebol
(CBF) aconteceu na partida entre Santos e Náutico, no dia 7 de
dezembro na Vila Belmiro, no empate de 0 a 0. “Me escalaram como 5º
árbitro para que eu participasse da última rodada, em reconhecimento
ao meu trabalho”, disse Silveira, que antes desta partida havia
estado em campo bandeirando o jogo Goiás 3 x 1 Botafogo, em Itumbiara-GO. Este sim, seu último
trabalho profissional.
Evandro iniciou a carreira em 1996, na época como
árbitro em jogos do Campeonato Paulista da Série A3. Somente em 1997 passou a
ser árbitro assistente, popularmente conhecido como bandeirinha. “Fiz o curso
de arbitragem em 1991 e ao longo de todo este período, desde quando comecei a
trabalhar em 1996, foram mais de 100 jogos pela Série A do Campeonato Brasileiro
e outros 150 no Paulistão. Em todas as divisões devem ter sido uns 500 jogos.
Vou sentir saudades”, conta o assistente, que revela ter apenas uma frustração
na carreira. “Lamento não ter bandeirado uma final de Campeonato Paulista.
Encerro levando isto comigo, mas não deu, tudo bem”, conta o bandeirinha, que no
dia-a-dia exerce a profissão de técnico em radiologia e professor de educação
física.
Com o fim da carreira, a revelação são-paulina, gostar de
futebol e não ter um clube de coração é algo impensável no mundo da bola por
maior que seja o profissionalismo. No caso dos árbitros esta regra também vale,
porém o segredo é algo primordial. “Hoje posso dizer que o meu time é o São
Paulo, pois sempre fui muito isento. Aliás, nas vezes que bandeirei jogos do São
Paulo ele mais perdeu do que ganhou”, revela Evandro.
Bandeirinha foi alvo de polêmica com Tevez,
em um jogo que não sairá da memória de Evandro, e tampouco dos
corintianos. Foi no clássico entre Corinthians e Palmeiras, em 1996,
quando Tevez teve um gol anulado. “O erro
ali foi no procedimento. Na hora eu deveria ter levantado a bandeira. Para a
torcida foi a Ana Paula de Oliveira que anulou o gol. Eu falei que o Tevez tinha
feito a falta no meio campo na hora do lançamento do Betão. A repercussão é até
hoje. Foi um jogo que valeu como aprendizagem”, conta Evandro. O jogo em
questão marcou a estréia do ponto eletrônico, e Evandro Silveira estava do lado
oposto à jogada, mas informou ao árbitro sobre a falta, enquanto Ana Paula
Oliveira, bandeirinha que estava na jogada, validava o gol, que minutos depois
foi invalidado.Evandro Luís
Silveira é o 19º no ranking paulista e 14º no ranking da CBF. Uma posição
honrosa que mostra que a sua carreira não foi cercada de polêmicas, ou seja, foi
discreta, como prega o manual da boa arbitragem.
Boas atuações também fazem parte da memória do
bandeira. “No Gre-Nal de 2006, quando houve incidente entre as torcidas e
banheiros químicos foram incendiados no Beira-Rio. A partida teve que ser
interrompida. Apesar do episódio triste, a lembrança é principalmente pela
grande atuação da arbitragem naquele clássico. Fomos 100 por cento”, recorda-se
o ribeirão-pretano. Evandro Silveira tem como ídolo o colega Ednilson Corona
e o árbitro Wilson Luis Seneme, como os melhores do Brasil.
Ouvir palavrões e xingamentos que partem das
arquibancadas é uma rotina, assim como é a de conviver com os jogadores bem de
perto e conhecer o perfil dos atletas. Na carreira, Evandro Silveira conta ter
visto todos os tipos de jogadores. Os bem-educados, os boca-suja e alguns
esnobes. “Muitos jogadores não falam nada. A maioria não diz palavrão, eles
abrem o braço, reclamam, mas não xingam. O Kaká e o Nilmar são bem educados. O
Marcos [goleiro do Palmeiras] costuma abrir os braços quando quer reclamar, mas
não ofende. Estes são os mais educados que eu me lembro”, diz ele. Mas por
outro lado há aqueles desbocados. “Têm umas malas que xingam. Quanto mais baixa
é a divisão, pior. Mas já ouvi ofensas de jogadores, como comparar o que eles
ganham com aquilo que a gente recebe para apitar ou bandeirar um jogo”, revela o
bandeirinha.
Ao se aposentar, Evandro deixará de ganhar R$ 950 (mais
diárias e transporte grátis) por cada jogo trabalhado em Série A do
Campeonato Brasileiro e outros R$ 750 por partidas do Campeonato
Paulista da Primeira Divisão (mais diária de R$ 48). Na Série A2 do Estadual,
os valores são R$ 600 e, na A3, caem para R$ 300. |