partida de futebol conta com mais dois árbitros
assistentes, também conhecidos como bandeirinhas, e com um quarto
árbitro ou árbitro reserva.
O futebol é considerado o esporte mais popular do mundo entre os
homens e, como era de se esperar, a partir de 1990, com a criação de
campeonatos oficiais internacionais para mulheres, o esporte se
popularizou também entre o público feminino.
A reação em cadeia foi imediata e, com o aprimoramento da técnica
por parte das atletas, algumas mulheres decidiram encarar também a
empreitada de comandarem uma partida oficial. O público feminino se
interessou por cursos de arbitragem e em pouco tempo a carioca
Márcia Guedes se tornou a primeira mulher a atuar como árbitra
principal na decisão do terceiro lugar no Mundial da China entre
Alemanha e Suécia. Este fato aconteceu em 1991. Márcia também foi a
única árbitra da América do Sul convocada para a Olimpíada de
Atlanta (EUA) em 1996.
A boa performance da arbitragem feminina motivou muitas mulheres e o
interesse pelo tema só aumentou. Em pouco tempo, o futebol
brasileiro viu desfilar em campo a ex-árbitra Silvia Regina de
Oliveira que é diretora da escola de árbitros da Federação Paulista
de Futebol (FPF), e a assistente Ana Paula Oliveira, que se formou
também em jornalismo mas que atualmente está investindo mais na
carreira artística. Outras “musas” como a professora de educação
física Maria Eliza Correia Barboza e a administradora de empresas
Aline Lopes Lambert também decidiram encarar os marmanjos e os
palavrões disparados pelos torcedores na busca por um espaço maior
no mundo do futebol que, até há pouco tempo era estritamente
masculino.
Um dos problemas enfrentados por árbitras e assistentes foi com
relação ao preconceito masculino. Se por um lado, o respeito era
total ao atuarem em partidas de futebol feminino, por outro lado,
alguns jogadores famosos ou técnicos renomados entendiam que
poderiam intimidar o trio de arbitragem ,especialmente se um dos
componentes do trio fosse uma mulher.
A diretora da escola de árbitros da FPF, Silvia Regina, conta que o
interesse feminino surgiu mesmo a partir de 2003, mas que em 1985
ela era a única mulher durante o curso. De acordo com a diretora,
atualmente 20% dos interessados em cursos para árbitros são mulheres
e no curso atual 14 mulheres estão se formando.

Escolinha
Na FPF, o processo de criação de uma Escola de Arbitragem teve
início na década de 40, quando o professor Leopoldo Santana e o
jornalista Flávio Iazzetti ministravam cursos para árbitros de
futebol. Em 1949, em Assembléia Geral da entidade, foi oficialmente
criada a escola de árbitros e o primeiro curso regular se iniciou em
1953.
Atualmente o curso tem duração de 2 anos e, ao término do período de
aulas teóricas e práticas, o aluno faz um estágio supervisionado de
1 ano atuando em partidas das categorias de base, especialmente
Sub-11 e Sub-13. Atualmente está em andamento um curso de arbitragem
que se iniciou em abril de 2009 e que deve terminar em abril do ano
que vem. A idade mínima para freqüentar o curso é de 18 anos para
estagiários e árbitros regionais e a máxima é de 45 anos, limite
estipulado pela Fédération Internacionale de Football Association
(Fifa).
Segundo a diretora da escola de árbitros da FPF, Silvia Regina, a
Federação Paulista detém o recorde de alunos por turma num total de
120. Ela conta que o acompanhamento de cada aluno é individual e que
os instrutores passam por treinamento feito sob supervisão da
própria Fifa.
Silvia Regina observa ainda que uma grande novidade implantada em
maio deste ano foi a unificação de um currículo mínimo básico. “O
Encontro Nacional de Escolas de Arbitragem realizado pela FPF trará
um padrão na formação dos árbitros de futebol”, completou a
diretora.
O EPTV.Com entrevistou a assistente de arbitragem Aline Lambert e
você confere agora os principais trechos desta entrevista.
Ponto.Com - Como
você se interessou pela arbitragem?
Aline Lambert - Iniciei mesmo procurando um ganho
extra para ajudar a custear meus estudos. Como estudante de
Educação Física e estagiaria num banco, precisava entrar na área e
ao mesmo tempo ganhar um pouco por isso
Ponto.Com - Você é assistente Fifa? Quais
os requisitos para ser uma assistente Fifa?
Aline - Não, ainda não sou assistente Fifa.
Funciona assim: é uma hierarquia; você inicia no quadro básico do
Estado, precisa ser relacionado para o quadro nacional
Confederação Brasileira de Futebol (CBF) preencher uma série de
requisitos e depois ser indicado pela CBF ao quadro internacional
Fifa.
Ponto.Com - A quais testes físicos você
teve de ser submetida?
Aline - O teste físico é padrão Fifa e são
separados conforme sua função, arbitro central ou arbitro
assistente, feminino ou masculino.Os meus testes (árbitro
assistente feminino) são divididos em duas etapas, a primeira são
6 tiros (piques) de 40 metros que devem ser feitos no tempo 6,6
segundos e a segunda são 20 tiros de 150 metros, que devem ser
completados em 35 segundos, com um intervalo para recuperação de
50 segundos.
Ponto.Com - Que outra atividade
profissional você desempenha?
Aline - Sou bancária, formada em Educação Física e
em Administração de Empresas.
Ponto.Com - Como sua família reagiu quando
você chegou em casa e disse que pretendia trabalhar no futebol?
Aline - Minha mãe agiu normalmente, afinal eu
estaria inicialmente fazendo um curso de arbitragem de um ano. Meu
pai demorou um pouco pra saber. Acho que ninguém imaginou que eu
chegaria tão longe!
Ponto.Com - Trabalhando no meio de tantos
homens, rola algum preconceito?
Aline - O preconceito existe e sempre vai existir,
mas já foi bem pior. Entre os próprios árbitros inclusive já tive
experiências, mas hoje o respeito é maior.
Ponto.Com - E as famosas cantadas, Aline,
você se prepara para encarar isso ou elas não acontecem?
Aline - Sempre tem. Levamos de maneira natural e
dentro do limite levamos na brincadeira. Tive experiências
engraçadíssimas, e acabam fazendo parte de toda essa história
.
Ponto.Com - O jogador respeita uma
assistente mulher mais do que a um assistente homem?
Aline - São dois extremos. Ou respeita muito mais,
ou somos testadas durante todo jogo ate conquistarmos confiança.
Mas quando eles percebem que não estamos para brincadeira, que o
trabalho e sério tudo muda. Um erro de uma mulher pode ser
totalmente ignorado ou extremamente valorizado simplesmente por
ser mulher!
Ponto.Com - Na arbitragem, do que você tem
mais medo ou o que mais preocupa você antes de uma clássico, por
exemplo Palmeiras x Corinthians?
Aline - Já trabalhei em todos clássicos de São
Paulo e em muitos outros pelo Brasil e posso te garantir que nunca
tive medo. A preocupação maior é desempenhar um bom trabalho sem
interferir no resultado do jogo. Quando informada das escalas vem
primeiro um sentimento de cobrança pessoal e da
responsabilidade, a sensação de orgulho e felicidade só vem depois
do jogo.
Se você quiser se aprofundar no assunto Arbitragem
no Futebol, basta acessar o site da FPF que é o
www.futebolpaulista.com.brFonte:
EPCampinas