Ela é
simpática, bonita. Também tem o poder de anular gols, assinalar
impedimentos e até decidir campeonatos com sua ferramenta de
trabalho. Pelas características citadas, parece que estamos falando
sobre a polêmica e conhecida bandeirinha Ana Paula de Oliveira, que
posou para a revista “Playboy”. Mas a assistente em questão é
Graziele Maria Crizol, que desde 2004 faz parte do quadro de
arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF).
A moradora de São Caetano aprendeu a gostar do futebol desde
pequena. O pai atuava no Cerâmica, time de várzea da cidade, e
sempre levava a filha para os jogos. Foi o suficiente para Graziele
esquecer os passeios no parque e começar a acompanhar os jogos do
clube do coração no estádio. Porém, a inspiração para participar do
futebol de dentro de campo partiu da árbitra Silvia Regina de
Oliveira, pioneira da arbitragem feminina no país.
A novata chegou a iniciar o curso da Federação, até que em um
simples jogo festivo entre políticos, uma das integrantes do trio de
arbitragem não apareceu para a partida. A torcedora, que estava nas
arquibancadas, recebeu uma ligação de Silvia. "Ela disse que eu iria
‘bandeirar’ a partida. Fiquei nervosa, já que eu não sabia nem pegar
na bandeira", diverte-se.
A assistente acredita que teve uma boa atuação, mas só "errou"
quando anulou o gol do governador Geraldo Alckmin. "Estava tudo
combinado para ele fazer o gol, só que a Silvia esqueceu de me
avisar. O governador não conseguiu tocar na bola o jogo inteiro e,
quando ele pegou, dei impedimento", lembra sorrindo.
Nestes anos de experiência como assistente, Graziele participou
de jogos da série A-2, A-3 do Campeonato Paulista e da Copa São
Paulo de Futebol Júnior. No segundo semestre, ela foi escalada nas
partidas da Copa Federação Paulista de Futebol e do Paulista sub-20.
A maior fonte de renda, porém, vem dos jogos comemorativos. "São
poucos que conseguem viver só da arbitragem no Brasil", lamenta a
bandeira, que apita na várzea para se sustentar. "Mas eu não levo
nenhum jeito para o apito", avisa.
A assistente pretende ascender de divisão e trabalhar na série
A-1 do Paulista e revela que não passa pela sua cabeça entrar no
quadro da Federação Internacional de Futebol (FIFA). "Eu quero casar
e ter filhos. Caso eu seja FIFA, as viagens atrapalharão meus
planos", finaliza Graziele, que não pensa em seguir os passos de Ana
Paula e posar nua em uma revista masculina.