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13/05/2009 - Ele foi escolhido para
assumir a Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF)
e recuperar a credibilidade dos árbitros de São Paulo em um momento
difícil quando os holofotes estavam voltados para o escândalo do
caso de suborno de Edílson Pereira. Coronel Marinho, depois de 30
anos de serviços prestado à corporação da Polícia Militar, trocou o
comando do Segundo Batalhão de Choque da PM do Estado para chefiar o
quadro de juízes da principal federação do país desde outubro de
2005. Antes de se tornar o responsável pela arbitragem da FPF,
Marinho já era envolvido com futebol, comandando o policiamento nos
estádios paulistas ao longo de 17 anos.
O convite para assumir o cargo partiu
do então presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, já que ele queria
uma pessoa neutra, sem vínculos com clubes, para começar um trabalho
novo de reestruturação da arbitragem e de recuperação da
credibilidade. Marinho acredita que muitas coisas ainda podem mudar
para melhorar as arbitragens, porém é necessário tempo. Em
entrevista ao site
Justicadesportiva, ele falou sobre a profissionalização da
arbitragem, da importância do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) e
as melhoras que já aconteceram e as que podem acontecer.
JD – Quanto o que acontece
fora das quatro linhas tem interferido dentro de campo? Qual a
importância do STDJ e do TJD?
Coronel Marinho – “A ação da Justiça Desportiva é
muito importante para coibir a violência dentro de campo. Até essa
parte da organização dos clubes, que abusam em algumas coisas, a
torcida que abusa também, você tem essa ajuda do tribunal para
minimizar. Até dentro de campo, às vezes tem um árbitro que comete
falhas no preenchimento do relatório e o TJD tem o poder de indiciar
o arbitro e puni-lo. O TJD está sendo muito importante para
contribuir com a beleza do espetáculo. Quando não há limites, reina
a impunidade, e gera graves conseqüências dentro de campo. Sendo
assim, o TJD ajuda o futebol dentro e fora de campo”.
JD – Os árbitros Sálvio Spínola e Luiz Wilson Seneme
declararam ao site Justicadesportiva.com.br que a
arbitragem errou menos nesse Campeonato Paulista. O senhor concorda?
Coronel Marinho – “Ano a ano vamos aprimorando a
arbitragem, em cima até de erros dos anos passados, durante as
competições. No ano passado, tivemos problemas de interpretações dos
cartões amarelos e vermelhos, que alguns juízes davam, outros não,
no mesmo tipo de lance. Buscamos uma uniformidade na interpretação e
conseguimos. O que já detectamos esse ano é que precisamos aprimorar
o trabalho com os assistentes, tivemos muitos erros em jogadas
fáceis, que poderiam ser evitados. Estamos então focando neste
trabalho e, ano a ano, descobrimos onde temos que dar ênfase nos
aprimoramentos”.
JD – O jogador Willian, do Corinthians, comentou que as
arbitragens irão melhorar quando houver a profissionalização. Seria
esse o melhor caminho?
Coronel Marinho – “Teríamos que ter um tempo maior
com os árbitros para treiná-los, e não temos. Os árbitros hoje tem
algum suportes para auxiliar eles, como empresas que treinam a parte
física, fazendo acompanhamento e monitoramento deles, acompanhamento
psicológico com palestras, trabalho técnico e de aprimoramento,
temos a pré-temporada. São ferramentas utilizadas para aprimorar o
trabalho, mas é evidente que se houvesse tempo na semana para
treinamento, para aprimorar os assistentes e jogar no final de
semana, seria o ideal, diferente do que acontece hoje, quando eles
treinam durante o jogo. Se treinasse antes, errariam menos, não é
que deixariam de errar, afinal, são humanos, e como temos os
jogadores que treinam a semana inteira e erram o gol embaixo da
trave, o goleiro também toma um frango treinando a semana inteira, o
arbitro também iria errar, mas em menor quantidade”.
JD – Qual o principal objetivo e quais benefícios foram
encontrados ao utilizar gandulas mulheres em jogos decisivos do
Campeonato Paulista?
Coronel Marinho – “O principal objetivo da
Federação com essa idéia do presidente da FPF, desde 2007, de
substituir os gandulas dos clubes nas finais do Campeonato Paulista
é a imparcialidade. Elas não tem nenhuma ligação com os clubes,
nenhum vinculo, o que acaba neutralizando o caso de gandulas
querendo ajudar o seu time, o que normalmente acontece, retardando a
reposição de bola no jogo, por exemplo. Com as meninas deixamos isso
mais profissional”.
JD – Existe um feedback dos clubes sobre essa troca?
Coronel Marinho – “Não. Mas a imprensa, a mídia, as
pessoas que acompanham esse trabalho aprovaram, isso que importa
para gente. Este ano, principalmente, elas foram muito elogiadas
pela eficiência do trabalho e isso que conta para mim. O
profissionalismo contribuindo para que o espetáculo não tenha
nenhuma interferência”.
Fonte: Renata Lutfi - www.justicadesportiva.com.br |